sorriso (I)
O dia havia nascido cinzento, pesado, sem graça. Mas ela sentia-se mais leve que nunca. Sorriu, rodou a cabeça para a esquerda, observando dissimuladamente a sua condução descontraída, e riu. Ah! Como desejou aquele momento! Percorreram o extenso alcatrão, desembrulhando palavras decomprometidas, efémeras, sem importância. Trivialidades. E entoaram músicas das suas infâncias.Mais tarde, recordou o mar sereno, o areal, o seu rosto, a pacatez da vila, a esplanada semi-deserta, as placas desbotadas das casas comerciais, a calmaria das ruas estreitas, o seu rosto, um gatinho perdido, as casas honestas dos velhos pescadores e o seu rosto.
Recordou o rosto dele e, em particular, o seu sorriso...
O sorriso deles.
Arrebatador.
E a sua cumplicidade.
Tão espontânea.
Tão nossa.

1 Comentários:
Gostei da parte das placas desbotadas... ;)
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